Review: NiOh – O melhor que a Team Ninja tem a entregar

12 de fevereiro de 2017 Comentário(s)
Review: NiOh – O melhor que a Team Ninja tem a entregar
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Meu Senhor, que jogo. Pode botar NiOh na lista de jogos que serão inestimáveis na biblioteca do PlayStation 4, pois o exclusivo produzido pela Team Ninja será lembrado por muito tempo e tem tudo para virar um verdadeiro clássico. O game representa um momento fantástico nesta geração, quando passamos a parar de falar de remasterizações e vemos novas IPs (propriedades intelectuais) originais.

Embora o jogo chegue num timing certo, contudo, vale a pena lembrar que seu projeto começou lá em 2005 nas mãos de Kou Shibusawa (da Koei Tecmo) com planejamento de ser lançado para o PS3. Mais de dez anos e muitas reformulações depois, enfim em 2015 NiOh foi reintroduzido como um dos destaques da PlayStation Experience 2015, porém o bastão agora era da Team Ninja com a liderança de Yosuke Hayashi. De lá para cá, mais de três demonstrações para PS4 mostraram um pouco do que estava por vir e finalmente pudemos botar as mãos no jogo em toda a sua glória.

Mas o que faz este jogo tão especial depois de tantos adiamentos e mudanças? Eu diria que se trata da mistura de vários gêneros e subgêneros, além de uma inspiração no que funcionou em franquias de outras empresas que têm obtido amplo sucesso nos últimos anos. Você não vai conseguir largá-lo!

NiOh Souls

Falando em inspiração, não há como falar de NiOh sem mencionar a série Souls da From Software. Diversos elementos de jogabilidade, level design e sistema de jogo são extremamente semelhantes e a Team Ninja não teve medo de copiar o que deu tanto certo com o outro estúdio japonês. E por mais que falar algo assim soe estranho — afinal, tantos jogos ultimamente tentaram embarcar nessa de copiar a From Software e pareceram cópias mal-feitas —, o bom sinal aqui é que não dá para rotular o game como um clone.

Isso porque NiOh faz uma grande mistura de vários conceitos que tinham tudo para dar errado com doses imprecisas, mas o equilíbrio dado pela Team Ninja foi soberbo. É como se você estivesse jogando um game com a jogabilidade frenética e brutal de Ninja Gaiden, um level design e nível de dificuldade espelhados na série Souls e a estética e os gráficos de Onimusha. E um personagem que fisicamente lembra o Geralt de The Witcher. Já deu para sacar que este mashup tem potencial não é?

E tem mesmo. É demasiado injusto dizer que o game sofre de originalidade. A temática de NiOh e sua história criam uma identidade única que faz toda a diferença. Se por um lado temos a pressão da série Souls vista nos inimigos, que desde os pequenos aos gigantes parecem todos chefes tamanha sua dificuldade, temos também a ação desenfreada, violenta e complexa dos jogos de ação que a Team Ninja.

Dominar a jogabilidade e violência furiosa da ação rápida de NiOh é algo que leva tempo. O game inclusive conta, entre uma fase e outra, com um dojo de treinamento para que você possa fazer vários tutoriais que incentivam você a aprender todos os combos, movimentos e golpes disponíveis

Você literalmente vai suar frio a cada esquina cruzada com medo de enfrentar um inimigo zé mané que possa fazer você perder todas as suas Amritas (equivalente ao RPG) por causa de um pequeno deslize, vai sofrer ao enfrentar chefões inúmeras vezes até telegrafar todos os seus golpes e descobrir seus pontos fracos, assim como vai sentir euforia ao conseguir domar o protagonista William e passar de fase destruindo quem vier pela frente.

Mitologia e folclore japonês

Como eu disse mais acima, é justamente a identidade e história de NiOh que fazem toda a diferença. O folclore e mitologia japonesa introduzida lembra muito o que títulos como God of War fizeram no passado, criando verdadeiros alicerces que transportam o jogador para uma era pouco explorada, principalmente em títulos que chegam ao Ocidente.

O protagonista é William, um inglês que viaja para o Japão do século XVII durante o período de fantasia sombria chamado de Sengoku, que mais tarde culmina na unificação do governo de Tokugawa Ieyasu em tempos onde as batalhas eram verdadeiras chacinas.  Nesta época, as terras nipônicas viviam verdadeiras guerras de poder e, na história de NiOh, o terror dos espíritos maléficos Yo-Kai foi alimentado pelo desespero e raiva dos humanos, conjecturando seres bestiais e demônios sinistros.

Vários personagens históricos estão presentes e se você conhece um pouquinho da história japonesas, encontrará diversas referências mitológicas que despertarão ainda mais interesse. William também se relaciona com espíritos Yo-Kai que não são de todo mal, coexistindo com os seres humanos para se dedicar ao bem, trazendo vários diálogos e lore que são tão ou mais profundos que a série Souls — e que estão traduzidos e legendados para o português brasileiro.

Aliás, uma das grandes diferenças entre as duas franquias está no ponto de partida. Enquanto em jogos da série Souls temos um ambiente e design unificados e repleto de passagens secretas, em NiOh há várias missões que são escolhidas a partir de um menu principal, que permite inclusive retomar as fases a hora que quiseres.

Japão Feudal

O Japão feudal de NiOh é absolutamente incrível, genial. O level design do jogo é mais linear, mas a mecânica de jogo adota a fórmula de Souls com maestria. O seu XP é definido pelos cristais de Amrita que são o combustível que permite ao jogador subir de níveis em altares que funcionam como checkpoints. Contudo, cada vez que você ora em um destes altares, ao mesmo tempo que recupera sua energia, todos os inimigos do mapa dão respawn de novo.

Tal fato significa algo extremamente importante: é bom você decorar exatamente onde está cada inimigo e sua dificuldade. Pois você vai morrer. Muito. E saber a dificuldade de cada um deles, se vale a pena enfrentá-los ou não em diversas situações é o que fará você prosseguir de maneira mais ágil ou penosa no game. Você enfrentará desde bandidos que tocaram o terror em aldeias a verdadeiras ameaças infernais como os Yo-Kai.

Além disso, durante toda a sua jornada haverão espadas sangrentas de samurais tombados pelo cenário. Sempre que você ver uma dela no chão, é possível sumonar o espírito de um guerreiro de alto risco para enfrentá-lo e conseguir excelente recompensas. Caso esteja conectado online aos servidores de NiOh, esses espíritos passam a ser de jogadores que morreram naquele local. Algo muito visto na série Souls.

Complexo e desafiador

Vida, stamina, peso, loot. Todos os elementos clássicos de RPG estão lá e lidar com todos eles é uma verdadeira arte. Você precisará dominá-los. O peso, por exemplo, traz consequências enormes para a barra de stamina (chamada de Ki), cuja qual o jogador ficará de olho constantemente pois cada esquiva ou golpe dado consome sua energia. Um pequeno descuido e você leva um stunt, ficando paralisado e sofrendo golpes críticos que podem fazer perder toda a Amrita que você sofreu tanto para juntar durante o caminho.

Sempre que atacar ou se esquivar, portanto, consumirá Ki. Se um Yo-Kai estiver muito próximo, uma zona cinzenta e circular indicará que está sendo controlada por este espírito e seu Ki se desgastará mais rápido. Para você continuar a atacar e se mexer sem ficar paralisado, terá que restabelecer a barra de stamina fugindo ou mesmo apertando um botão específico no momento certo para que o Ki não se esgote e você possa atacar infinitamente

Saber escolher quais atributos evoluir toda vez que sobe de nível nos altares e também gerenciar seu inventário para selecionar as peças de armadura e armas adequadas para cada momento vão exigir muito esforço do jogador. São várias delas: espadas, katanas, dupla katanas, correntes (kusarigana), machados, lanças, arcos, rifles e canhões de mão… O sistema é bem mais complexo que o de outros jogos, graças aos atributos como a familiaridade para armas. Só de atalhos para usar itens, por exemplo, você tem oito espaços. É possível escolher o que vai em cada um deles.

Todas as armas têm pontos fracos e fortes contra determinados tipos de inimigos e há vários combos, habilidades ninja e pergaminhos que você pode habilitar para aperfeiçoá-los ou descobrir novos golpes. Benção, jutsus, montagens/desmontagem de itens forjados por ferreiros e artefatos estão presentes aos montes. Apesar dos menus serem bem rápidos e acessíveis, serão necessárias algumas horas de jogo até você aprender todas as possibilidades.

Cada fase tem cerca de dois ou três altares. Em muitos casos, elas ficam perto de portas ou passagens secretas de outras partes do mapa. Correr para encontrar a próxima ou abrir caminho loucamente para liberar parte do mapa vai ser uma sina comum na vida do jogador de NiOh

No meu caso, muitos golpes novos e itens forjados acabaram decorrendo de chefes complicados que exigiam testar dezenas de estratégia até encontrar aquela que os enfraquecia. Ao empacar que eu me dava conta de tantas coisas que era possível fazer. E como eu sofri. Com quinze horas de jogo mal tinha chego no terceiro chefe de trinta e um já catalogados. Sem falar que alguns podem ser enfrentados mais de uma vez…

O jogo é gigantesco. Engana-se quem pensa que é só um hack-n-slash com a dificuldade de Souls. NiOh é um verdadeiro RPG e serão precisos dezenas (para não dizer centenas) de horas para você conseguir fazer tudo que é possível. Chefes secretos, lore e itens raros estão inclusos nessa. Cada cenário é um verdadeiro quebra-cabeças e cabe a você decifrar cada centímetro, morrendo de medo das incertezas de cada passo dado por William.

Há quem diga por aí que em termos de dificuldade NiOh não massacra tanto quanto os jogos da From Software, sobretudo nos chefes finais de cada fase. Bem, sou suspeito para falar, ainda mais em questão da (falta de) habilidade. Sofri como um condenado para alguns deles mais do que em Bloodborne. A terceira chefe, Hino-Enma, me fez suar por mais de oito horas de insistência. Em linhas gerais, no meu ponto de vista ele fica entre Bloodborne e os três Dark Souls.

Claro, nem tudo é perfeito

A opção de escolher por fases mais lineares e menos interligadas como na série Souls traz um jogo mais direto e simplificado. Salvo algumas exceções no qual os cenários verticais trazem alguma sofisticação, o game convence, mas não inova. Não é de todo ruim, porém o design de certos ambientes pode fazer espaços apertados dificultarem o controle da câmera e você certamente ficará um pouco desorientado neste momento, uma vez que ficar parado não é uma opção em NiOh e marcar inimigos para fixar a câmera é uma ação constante.

A bagagem gráfica leva o fardo dos mais de dez anos de desenvolvimento, assim como The Last Guardian, certamente demonstrando algumas deficiências quando falamos de um jogo lançado na atual geração. Entretanto, por mais que visualmente o jogo peque, sua direção artística compensa muito pelo conjunto da obra. Cada elemento do ambiente transportará você direto para o Japão como poucos jogos o fizeram.

Por fim, o jogo possui três tipos de configuração de vídeo: modo filme, modo ação e um terceiro que busca o equilíbrio entre os dois primeiros. O modo filme tem um foco mais voltado para a qualidade de imagens, enquanto o modo de ação você pode vislumbrar de uma jogabilidade constante de 60 quadros por segundo.

Esta, aliás, é a minha recomendação para quem for se aventurar na pele de William. Em um game onde cada passo pode ser o seu último, ter o controle total do personagem faz toda a diferença e os 60 fps possibilitam tal façanha com muito mais acuracidade.

Vale a pena?

Sabe aqueles jogos que você daria de tudo para comprar no lançamento, mesmo no preço de tabela cheia, porque sabe que o valor investido vale a pena e que no fim das contas não é só mais um jogo para revender depois ou mesmo alugar de algum amigo? NiOh é assim, um título completo.

Ele é o que a gente esperava da Team Ninja em sua melhor forma, com uma história densa e uma jogabilidade de ação visceral. Sem sombra de dúvidas, NiOh tem tudo para ser a maior surpresa de 2017 e se você é fã de jogos ação e RPG, cultura japonesa e gosta de adrenalina, o game é uma experiência absolutamente inesquecível.

Nota Final: 95

A análise deste jogo só foi possível graças aos nossos amigos da ShopB, a loja digital de games mais completa e atenciosa do Sul do Brasil! Não deixe de conferir NiOh e centenas de outros games que sempre chegam na data de lançamento com preços justos

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Fundador e ex editor-chefe dos produtos TecMundo e Mega Curioso, trabalho com internet desde 2003. Sou extremamente apaixonado por tecnologia, produtos eletrônicos e video games, acompanhando e participando ativamente deste mercado. Integrante da equipe Techroad, acredito que um conteúdo excelente pode se transformar em conhecimento e enriquecer culturalmente toda a sociedade.