Review: Resident Evil 7: Biohazard – Um retorno triunfal do gênero survival horror

23 de janeiro de 2017 Comentário(s)
Review: Resident Evil 7: Biohazard – Um retorno triunfal do gênero survival horror
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Resgatar a identidade original da série. Esta foi a premissa da Capcom após o fiasco de Resident Evil 6. Ou ela escutava os fãs mais fervorosos e fazia algo a respeito ou assumia de vez o modelo americano de exaurir séries e franquias de TV e jogos até tirar a última gota  — como vemos em tantos outros games e seriados por aí.

Felizmente ela optou pela primeira alternativa. Para Resident Evil 7: Biohazard, a empresa trouxe como diretor Koshi Nakanishi, que já tinha trabalhado no universo de RE ao introduzir o spin-off canônico Revelations em 2012, com muito sucesso da crítica. O diretor afirmou que jogou praticamente todos os jogos de horror em primeira pessoa, tais como Outlast e Amnesia, e decidiu expandir esta experiência ao adicionar armas de fogo pela primeira vez em jogos AAA deste gênero.

Antes de nos aprofundarmos, vale lembrar que a equipe de Resident Evil 7: Biohazard é toda oriunda da Capcom Japão, que possui mais de 120 desenvolvedores no seu time. O escritor para a narrativa, no entanto, foi o estadunidense Richard Pearsey, quem escreveu e participou do design de duas expansões de F.E.A.R. e Specs Ops: The Line. Ele dita o ritmo e o tom da narrativa de Ethan Winters, o novo protagonista de RE7.

Atenção: esta é uma análise sem spoilers sobre a história (spoiler-free)!

O Jogo

Construído sob um novo motor chamado RE Engine, parece até heresia jogarmos um Resident Evil em primeira pessoa depois de longos anos em terceira. Ledo engano. Assim como aconteceu em GTA, toda a desconfiança se vai após a primeira hora de jogatina. De maneira análoga às demonstrações KITCHEN, Beginning Hour e Lantern, você se acostuma aos comandos em questão de minutos.

A Capcom foi inteligente em adotar os direcionais para troca de armas e focar a movimentação nos analógicos e ações com armas nos gatilhos, reduzindo a complexidade característica da série

Graficamente, o jogo não é um primor. Esta crítica vai para o fato da baixa resolução na versão dos consoles, o screen tearing presente quando você se movimenta de maneira muito rápida e também pela baixa nitidez de muitos objetos e texturas quando estão em ambientes bem iluminados. Mas o que falta em aspecto técnico é compensado em dobro em direção artística. E no escuro, como em 99% do game, isso não faz tanta diferença assim.

Você vai literalmente se sentir dentro de uma história de terror macabra no interior dos EUA. A penumbra é total em grande parte dos momentos e com certeza o player se sentirá desnorteado e desorientado, tendo que abusar do mapa para se achar no ambiente. Justamente como a equipe da Capcom planejou. O produtor Jun Takeuchi em uma ocasião disse que a perspectiva em primeira pessoa é plenamente capaz de trazer Resident Evil de volta para o survival horror:

Faz você se sentir uma pessoa normal com seus próprios sapatos, tornando a situação ainda mais assustadora. Você não vai  sequer pensar em fazer as coisas que outros personagens poderiam fazer, como saltar sobre os obstáculos, atirar e pegar cobertura, como nos jogos em terceira pessoa. Fizemos de um modo em que você sente o que o personagem não pode fazer de forma alguma, como se estas opções tivessem sido tiradas dele. Isso aumenta o sentimento de horror.

Explorar cada centímetro da casa tem um sabor especial. Cada cômodo é altamente detalhado com vários tons verdes, cinzas e vermelhos, dando uma sensação realista do ambiente diante dos olhos. A comida podre na geladeira parece tão de verdade que você sentirá nojo quando der de encontro com ela. O jogo exagera um pouco no blur e na falta de nitidez (muito provavelmente por causa das configurações do PlayStation VR, que tem uma versão exclusiva), mas isso só deve incomodar os olhos mais aguçados.

Para nós brasileiros, infelizmente não há dublagem em português, mas todo o conteúdo e as legendas foram traduzidas ao nosso idioma e isso facilita muito a resolver puzzles, identificar objetos, compreender as missões, o mapa e até mesmo, porque não, apreciar a excelente interpretação americana.

Embora a temática apresentada nos trailers e na demo dê a entender que o novo título realmente seguiu um novo rumo para quem ainda não jogou — e de fato seguiu —, vários elementos clássicos da franquia Resident Evil estão presentes. Principalmente se levarmos em conta o primeiro jogo, que se transformou em marca global e originou não só continuações como filmes e diversas outras mídias.

Isso quer dizer que os famosos baús de armazenamento (storage box), o gerenciamento de inventário limitado, a escassez total de munição e suplementos, uso de ervas para se curar ou criar kits médicos e até mesmo os saves (que são tocadores de fitas k7 no lugar de máquinas de escrever) são elementos fundamentais que você precisa aprender a dominar se quiser sobreviver.

Para salvar o jogo, existem diversas zonas seguras (safe zones) espalhadas como cômodos ou mesmo passagens. Muitas vezes me peguei usando-as de subterfúgio para matar alguns inimigos e voltar só para salvar e garantir que numa eventual morte não tivesse que enfrentá-los tudo de novo. Além disso, o game também conta com os tradicionais “quick saves” em partes muito específicas, sobretudo se você está longe de uma zona segura ou está na iminência de enfrentar um chefe — fique sempre atento a esta indicação no canto superior esquerdo, ela pode te ajudar a se preparar psicologicamente!

Em termos de nível de dificuldade, o jogo apresenta inicialmente o modo Fácil e o Normal (que é bem difícil), sem possibilidade alguma de alternância após a sua escolha. Quem fechar o jogo abre a dificuldade Hospício, que para ser bem sincero não quero nem imaginar como é depois de tanto sofrimento. Resident Evil 7: Biohazard ainda possui uma opção exclusiva para aqueles que querem escolher “menos sangue”, mas é difícil de acreditar que o impacto será menor devido à enorme quantidade de cenas gore que farão qualquer amigo próximo se arrepiar.

O Combate

Tirando todo o lado nostálgico relacionado ao gênero horror neste jogo, o que realmente RE7 introduz é a mecânica de combate com armas de fogo em primeira pessoa. Temos armas brancas também. Quer dizer, não temos não, se você considerar que na grande parte do tempo tem um canivete à disposição com uma faca curtíssima e minúscula perto dos inimigos que você tem de enfrentar.

É claro que na medida em que prossegue, o protagonista é apresentado a armas que fogem das tradicionais pistolas, tais como motosserra, escopeta, lança-chamas, lança-granadas, bombas de proximidade e até uma metralhadora. Legal, não? Vai ser uma festa explosiva com um arsenal digno do rambo! Mentira.

De rambo mesmo, só a sua habilidade de se tornar novamente o exército de um homem só, pois o que não falta é inimigo desgraçado neste jogo. E o que falta? Bem, munição e suplementos, visto que você vai passar grande parte do tempo tendo que ter paciência para acabar com as criaturas infernais na base da peixeira e descobrir os pontos cegos da inteligência artificial. Que são muitos, por sinal.

Gerenciar o inventário é uma arte. Melhor, é uma Ciência e é de Exatas. Você precisa contar a quantidade de slots vazios a todo instante e não ter pudor de guardar itens inúteis na caixa de armazenamento de tempos em tempos. Soma-se isso a inteligência de não querer comprar todas as brigas, muitas vezes é melhor correr ou fugir, assim como no título original Resident Evil. Embora isso pareça mais simples do que realmente é.

Desculpe se isso vai deixá-lo triste, mas as criaturas deste jogo não são exatamente os zumbis tradicionais que você tanto aprendeu a amar e odiar. Eles são chamados de Mofados e são descritos como criaturas mutantes de seres humanos. Para todos os fins, eles são zumbis, porém extremamente mais grotescos e perigosos.

Talvez o único ponto fraco deles são os pontos cegos, no qual você pode travá-los em algumas quinas para golpear sem levar dano. Encontrei vários destes durante a maratona e, apesar de em um nível mais filosófico isso ser um ponto negativo do game, salvou muitas vezes o controle do meu console de ser jogado na parede. Afinal, enfrentar 5 deles seguidos na faca tendo que se esquivar me rendeu umas dezenas de mortes seguidas que só a série Dark Souls e Bloodborne até então tinham feito. A seu favor, o fato deles muitas vezes serem completamente “cegos” mesmo que seu personagem esteja a menos de 1 metro.

Não raro também era se deparar com respawns problemáticos — tanto com os Mofados como com os chefes. Quando você finalmente decora de onde os Mofados surgem para dar aquele tabefe das trevas, começa a a preparar estratégias para atraí-los individualmente para outras salas. Entretanto, nem sempre isso funciona: ao sair de determinado lugar, os bichos muitas vezes magicamente somem e aparecem de novo no ambiente no qual foram programados para surgir. Sem contar quando um adversário bugava e os milhões de tiro na cabeça não faziam diferença.

Tirando estes pequenos problemas, posso afirmar sem dúvidas que gostei muito do combate em Resident Evil 7: Biohazard. Ele é inteligente e faz você pensar duas vezes antes de gastar uma bala em vão e também é conciso. Como o próprio produtor explica, a adição de armas não foi para fazer você se imaginar num novo episódio de Call of Duty. Elas exigem sangue frio, alguma destreza no controle e raciocínio rápido.

Até os inimigos são um pouco lentos no geral para dar tempo do jogador efetuar as ações com naturalidade

Há ainda uma combinação de botões que permite dar um giro rápido em 180 graus que pode te salvar de muitas encrencas, contudo acredito que na versão do PlayStation VR tal movimento com certeza deixará muitos enjoadíssimos, uma vez que ele não parece nada natural. Como indicador de vida, de maneira moderna implementaram o uso de smartwatches da Pebble que lêem o seu batimento cardíaco e indicam pela cor como você está (além do famoso sangue presente na tela). Uma ideia contemporânea e divertida.

Num balanço geral, o combate apresenta muitos pontos a melhorar que vão deixar você furioso em várias etapas da jogatina, porém com a prática garanto que muitos vão acabar se acostumando e gostando do ritmo dado pela Capcom. Fica o desejo de uma continuação mais apurada.

Level Design

Um dos grandes trunfos do jogo é a construção de design dada à “Mansão” dos Baker. Aliás, onde já se viu uma típica casa americana ter tantos caminhos secretos? A pequena casa vai se transformando em um labirinto com inúmeras possibilidades. E aí entra a genialidade da equipe que desenvolveu todo o mapa do jogo.

Tenho certeza de que os jogadores cujas horas de jogo aumentarem vão se regojizar de como conseguiram decorar os ambientes da casa como se fossem a palma de suas mãos. O ritmo dado pela Capcom nisso é fantástico. Quando você menos vê, mesmo no escuro mais sombrio vai se virar com extrema facilidade. E isso só funciona perfeitamente porque você percorre os mesmos caminhos incontáveis vezes.

Ao término do jogo, você saberá se guiar tão bem como o faz na sua própria casa

O mais legal é que você não se sente forçado e nem cansado por ter que realizar os mesmos caminhos com o passar do tempo. Tudo porque várias salas e caminhos estão devidamente fechados e exigem que você descubra como fazer para conseguir aquela chave única ou como contornar e abri-los do outro lado. É impressionante como as diversas áreas da história se conectam de maneira natural e fazem sentido num mapa amplo e com muitos ambientes para se explorar. Tudo bem que a proposta do jogo é linear, mas isso se deve a sua forte narrativa.

Outra dinâmica muito inteligente está no uso de fitas cassete. Em diversos momentos você pode coletar e assistir elas para ver as gravações realizadas por outros personagens, permitindo assim conhecer ambientes novos antes mesmo de estar lá e também obter informações vitais para concluir alguns puzzles da trama.

Os puzzles

Os tradicionais quebra-cabeças estão presentes por todo o jogo em boa quantidade. Podemos considerá-los medianos para fácil em dificuldade e isso não é necessariamente algo ruim. Devido à interface estar em português e as missões indicarem o que você precisa fazer quando está vendo o mapa, fica um pouco simples descobrir “os próximos passos”. Eventualmente, o protagonista vai se encontrar numa situação que sabe o que precisa ser feito.

Por outro lado, como fazer para chegar lá com vida são outros quinhentos… Será muito mais provável que você fique preso tentando passar por alguns monstros ou descobrindo a passagem secreta para avançar no cenário do que resolvendo um puzzle.

Aliás, um deles é particularmente divertido e assistir as fitas cassetes durante a experiência estendem as horas de jogo na primeira vez. E é claro que você com certeza não descobrirá tudo de primeira, necessitando fazer um replay da campanha para tentar algumas coisas de maneira diferente.

Direção de Arte

Os produtores de Resident Evil 7: Biohazard não pouparam esforços para criar um ambiente claustrofóbico que provoque medo e sentimentos de angústia por causa do isolamento. Jogar com som surround se torna uma obrigatoriedade aqui, visto que os sons macabros em 360º ampliam ainda mais a sensação constante de pavor por meio do áudio. Se esta não é uma possibilidade para você, escureça seu ambiente e coloque ótimos fones de ouvido. Você vai se cagar de medo.

Algumas escolhas da equipe também me deixaram feliz. Você visualiza os membros posteriores de Ethan toda vez que se aproxima de uma parede ou porta, criando uma atmosfera que incorpora o player dentro do personagem por completo. Ao olhar para baixo, por exemplo, é possível visualizar seus pés. Sem falar no smartwatch que de maneira perspicaz mostra como está a vida.

É cristalino como o jogo foi extremamente pensado para as plataformas de realidade virtual. Seja no suporte completo ao PSVR ou à tecnologia por meio do Oculus Rift ou HTC Vive, você notará que a construção foi idealizada para ser experimentada com os óculos

A fotografia do jogo é digna dos filmes de terror mais clássicos do cinema. Você vê um pouco de tudo de inspiração. Referências ao longa Massacre da Serra Elétrica pode ser reparado por todo ambiente, ainda mais no cerne da casa da família “caipira”, os Bakers. Há quem diga que eles foram inspirados na família de imigrantes Benders, os canibais que são considerados os primeiros psicopatas de que se tem notícia nos EUA.

Além das cores verdes, cinza e vermelho que são explorados nos mais diferentes tons para recriar um mundo realista, existe um ponto em que direção do jogo consegue se superar. E esta é a iluminação. Embora o game não tenha as tecnologias mais avançadas, o uso adequado dos pontos de luz cria verdadeiras obras de arte com sombras que acrescentam imersão e constroem uma atmosfera fantasmagórica recheada de sustos. O trabalho aqui é fantástico.

Valor de Replay

Alívio e desespero. Após fechar o jogo você se sentirá mais livre para deixar a história de lado e repetir a jornada de Ethan em menos tempo. O jogo, que tem cerca de 10 a 12 horas de campanha para quem explorar tudo, pode ser finalizado em menos de 4 horas. Há até um troféu/conquista para isso. Agora, vai ser desesperador conseguir tal feito.

Aliás, platinar/completar os 100% de  Resident Evil 7: Biohazard certamente será para poucos. Você terá que correr contra o tempo, não usar alguns itens como kit de primeiros socorros e até zerar o game no nível Hospício, que é insano, para completar algumas da meia-dúzia de exigências completamente difíceis que foram propostas pelos desenvolvedores.

Tendo isso posto, vale comentar que o jogo tem dois finais e quem define ele é o jogador, por meio de uma escolha que é feita no meio da trama. Soma-se aí ainda a rede RE NET, que computa as estatísticas dos milhões de jogadores durante a jornada e vai dar ótimos insights para os próximos conteúdos.

Falando nele, espera-se pelo menos seis histórias novas no passe de temporada (season pass) de RE7. A primeira delas, “Not a Hero”, vai ser disponibilizada gratuitamente ainda no segundo semestre de 2017. Todas elas serão focadas na narrativa e vão expandir ainda mais os acontecimentos vividos na história.

Não dá para falar que é daqueles jogos que você terminou e correu revender. É claro que alguns vão optar por este caminho, mas a Capcom quer garantir um 2017 repleto de sustos para os fãs da franquia.

A Narrativa

Eu deixei ela por último, de propósito. Se tem alguma coisa em que o jogo verdadeiramente brilha e que amarra todas as pontas é a excelente narrativa de Pearsey. A semelhança com F.E.A.R. é irrefutável, devido à carreira do escritor, mas gostaria de salientar aos jogadores que ficaram com um pé atrás, achando que estamos vivendo uma história de fantasmas por causa do trailer, que tudo tem explicação.

A junção dos nomes Resident Evil e Biohazard (nomes diferentes no Ocidente e no Japão) no mesmo jogo nunca fez tanto sentido. Inspirado em Viagem Maldita e A Bruxa de Blair, a trama tem como núcleo central o casal Ethan e Mia Winters e a família Baker, no interior do estado de Lousiana, nos EUA.

Você vai desejar nunca ter ido à Lousiana. Passar a noite mais longa de sua vida com uma família psicopata tem consequências permanentes

A sinopse é interessante: após os acontecimentos de Resident Evil 6,  Ethan se depara com um desafio inesperado. Por três anos, sua mulher Mia permaneceu completamente desaparecida, quando ele recebe um email com vídeo dela pedindo para se esquecer e nunca ir atrás. Qualquer semelhança com Silent Hill 2 aqui é mera coincidência.

Ethan então consegue localizar o paradeiro dela e segue de carro até o interior de Lousiana, na mansão da família Baker. Lá, ele devidamente se encontra com os integrantes macabros desta casa maldita que foi assolada pelo colapso do mundo. O ano é 2016 e a comida por aqui tá bem diferente da que você comeu ano passado.

Jack é o pai da família e tem um temperamento que lembra Jack Nicholson na obra de O Iluminado escrita pelo consagrado Stephen King. Cabe a ele o papel de Jason Voohees do núcleo. Sua mulher, Marguerita Baker, é o diabo em pessoa e se assemelha a uma bruxa que tem desvios psicológicos doentios e histéricos. Além deles, o filho Lucas Baker é típico baderneiro sádico que adora fazer joguinhos com tortura psicológica. Temos ainda a desaparecida irmã de Lucas, Zoe, a quieta vovó e a menininha macabra Eveline.

Cabe a Ethan escapar com vida desta família psicopata e reencontrar o amor da sua vida. É importante avaliar aqui que em nenhum momento os personagens têm uma profundidade em relação a suas motivações e comportamentos (a Capcom deixou isso mais para os DLCs), mas sim em suas características tão marcantes.

Isso tudo faz sentido porque você de fato não está querendo conhecê-los melhor, mas sim preocupado em sair o mais rápido possível deste manicômio sinistro

O ritmo da história prende e o jogador anseia por descobrir o que realmente aconteceu ao passo que deseja inegavelmente dar o pé do local com todas as suas forças. Na medida que avança, mais informações são divulgadas por meio do lore do jogo. Não faltam bilhetes, anotações em cadernos, fitas de vídeo, emails e fotos que contam um pouco mais sobre o passado e o presente de Resident Evil 7: Biohazard e eles são vitais para a compreensão total do que você está vivenciando.

Se há algum dos quesitos em que o jogo se supera no gênero survival horror, é na narrativa. Nem os melhores cientistas da Umbrella Corporation poderiam supor que a série resgataria esse ponto sem cair no clichê do filme dos cinemas. Muito embora clichês o jogo tenha de sobras, porém de outras referências.

Vale a pena?

Definitivamente, RE7 é uma nova interpretação do universo de zumbis que conquistou o mundo e com certeza é a versão mais sombria de toda a série até hoje. Não me leve a mal, mas ele não é um jogo para qualquer um. É preciso coragem e estômago para enfrentar esta jornada sozinho (e isso faz toda a diferença).

É possível dizer que se trata de um renascimento, uma releitura que instiga os jogadores a retornar às origens quando adentraram medrosos na terrível Mansão Spencer do primeiro jogo. Este resgate vai afastar alguma parcela dos jogadores, porém o pacote entregue pela Capcom age com coerência ao que se propõe desde o início. Ele tem seus problemas técnicos, é bem verdade, contudo reafirmo que os pecados da técnica são compensados pelo clima tenso e tenebroso do game.

Ouso dizer que a Capcom vai bater a meta de 4 milhões de unidades vendidas que foi projetada com facilidade. Os 20 anos da série não poderiam ter sido melhor representados como o feito realizado neste excelente jogo.

Resident Evil 7: Biohazard é macabro, sinistro, nojento e horripilante. Tudo junto e misturado. Mesmo após passar mais de 20 horas com o jogo, não paro de pensar em todos os detalhes e cômodos que explorei naquela residência terrível que nunca mais deixará de existir em minha mente.

Nota Final: 90

Resident Evil 7: Biohazard foi cedido gentilmente pela Warner Bros. para a plataforma Xbox One

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Fundador e ex editor-chefe dos produtos TecMundo e Mega Curioso, trabalho com internet desde 2003. Sou extremamente apaixonado por tecnologia, produtos eletrônicos e video games, acompanhando e participando ativamente deste mercado. Integrante da equipe Techroad, acredito que um conteúdo excelente pode se transformar em conhecimento e enriquecer culturalmente toda a sociedade.